Como lidamos com os nativos digitais que estão em nossas casas?

Os dedinhos dos chamados nativos digitais, termo para aqueles que nasceram e cresceram com a tecnologia em suas vidas, exploram os tablets de forma natural. Observo frequentemente suas expressões nos momentos que mexem em seus gadgets e não encontro nenhum resquício de angústia, espanto ou dúvida em seus rostos.

Olhar esses aparelhos pelos olhos das crianças – os olhos de um indivíduo que enxerga a tela como uma extensão sua – é essencial. A afinidade deles com o mundo digital pode parecer assustadora para alguns, mas, no geral, acredito que temos muito a ganhar. Como podemos, então, nos aproximar de nossos filhos e não deixar que essas tecnologias criem barreiras?

O ambiente virtual, se explorado com responsabilidade, pode oferecer uma experiência extremamente rica. Com um toque podemos visitar os jardins de Monet e com outro, ver as pirâmides do Egito. Não apenas nessa parte didática, mas na lúdica, pais têm muito a aprender com e sobre seus Padawans. Acredito que repelir as ferramentas de forma muito brusca pode gerar conflitos desnecessários. Tudo deve ser usado com equilíbrio.

Podemos tornar os gadgets aliados na hora de explicar algo, de contar uma história ou ilustrar uma palavra ou termo que as crianças não compreendam. Aprendi durante anos no mercado de edtech, a fusão entre educação e tecnologia, que integrar o virtual nas vivências reais de forma orgânica é trabalhoso, mas recompensador. Temos uma enciclopédia infinita na ponta dos dedos.

Acompanhar juntos algum canal do YouTube, replicar receitas, assistir a um filme, ver a tradução de uma letra, tudo é válido. Conhecer e participar do universo de nossos filhos é extremamente poderoso, ainda mais um mundo tão novo para nós quanto o dos aplicativos. O que eles gostam de escutar? Que tipo de filmes e desenhos preferem? Essas respostas são encontradas facilmente em suas vivências digitais.

O importante é perceber (e aceitar) que a tecnologia vai estar presente durante toda a vida deles, não é moda ou algo passageiro. O mundo nunca voltará a ser analógico. Sugiro, portanto, aproveitar também os momentos online para educar, orientar e conhecer mais os nossos pequenos.

O post foi escrito pela Fabiany Lima, fundadora do Timokids, aplicativo multilíngue de educação que ajuda pais e professores, por meio de histórias e jogos, a conversar com as crianças sobre questões importantes que devem enfrentar durante o crescimento.

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