Game XP: o evento de gaming no Rio de Janeiro

A Game XP, a grande ‘festa’ da Microsoft, já tem seu programa definido. O evento vai incluir o campeonato brasileiro de “RainbowSix: Siege” (masculino e feminino), campeonato de Just Dance, competições dos famosos League of Legends e Clash Royale, e até o primeiro campeonato oficial de MarioKart 8 Deluxeem nosso país. O evento acontece na Game Play Arena e na Oi Game Arena, de 6 a 9 de setembro.

O crescimento do gaming

Certamente haverá alguns leitores que estão se perguntando se esse negócio de ter um “Brasileirão de RainbowSix: Siege” (é mesmo assim que falam) ou um campeonato oficial de MarioKart é sério ou se isso é brincadeira. O preço para o pacote de 4 dias é de R$ 450; não é brincadeira, não.

A Game XP é um bom reflexo de um novo fenômeno social que vem crescendo nos últimos anos e que mesmo os mais nerds de nós podem estar perdendo, por conta de nossa idade. Já é bem mais que diversão doméstica: é uma indústria de entretenimento avançada e em desenvolvimento. Mais do que isso, não é propriamente coisa de nerd: está virando fenômeno de massas, “mainstream”, como se costuma dizer. É talvez um fenômeno de massas que atinge só os que têm menos de 30 anos, mas nessa faixa etária, chega a todos. Seu crescimento vem indicando que isso está para ficar.

Riscos

O crescimento do gaming sequer está livre de riscos. Há poucas semanas, falámos aqui do perigo das loot boxes e das críticas que vêm recebendo em várias partes do mundo, por seu funcionamento excessivamente semelhante ao de uma máquina caça-níquel. Acaba por ser pior ainda, pois se você fizer uma busca por “Cassinos Brazil ” encontra plataformas que só permitem usuários maiores de idade, ao contrário dos videojogos.

Da Austrália, vem uma notícia curiosa: após meses de pressão, o Senado está iniciando um inquérito que pode resultar em medidas efetivas para limitar o acesso a loot boxes pelos jovens. A iniciativa veio de JordonSteele-John, o mais jovem senador de sempre naquele país, que tem apenas 24 anos e é ele próprio um gamer. Como Steele-John falou há uns meses à mídia australiana, seus colegas do Senado são mais lentos a reagir a esse problema porque não têm ideia de como a indústria evoluiu e do que representa socialmente na atualidade; pensam que os videojogos “ainda estão no tempo do Pacman”.

Responsabilidade social

Se de um lado as desenvolvedoras estão compreendendo que a sociedade civil está atenta ao fenômeno, e por isso estão removendo suas loot boxes (como acontece com ForzaMotorsport, que falámos aqui), de outro a ideia da responsabilidade social está chegando em força. No último dia 21 de agosto, o Canaltech deu a notícia do projeto Go for Gaming, nascido de parceria entre o ESL Brasil, Fishfire e eBrainz, com o objetivo de combater preconceitos e estereótipos, tanto dentro da comunidade gamer, como do exterior em relação à comunidade.

É algo que você vê no futebol internacional: sempre aparece alguma torcida, por exemplo, jogando casca de banana a um jogador de origem africana, mas aí vêm as autoridades (com a FIFA acima de todas) e dão forte no clube respetivo. E depois, quando uma torcida joga ursos de pelúcia sobre uma torcida visitante (constituída por crianças, usuárias de um hospital pediátrico), a mídia já nem fala no assunto. Isso aconteceu na Holanda, nesse mês de agosto.

Resumindo: se alguém questionar você sobre pagar um bilhete de R$450 para ir ver uns caras jogando videojogos, já sabe o que é.