Liga da Justiça | RESENHA

Desde que começaram os rumores de Homem de Aço, lá por volta de 2012, era certo que os filmes da DC Comics iriam constrastar com os da Marvel por causa do tom sombrio. As produções da DC não teriam piadas e seriam pesados, densos.

Confesso que gostei dessa ideia. Filmes mais sérios de super-heróis funcionam (vide Logan) e nos trariam uma nova forma de consumir esse conteúdo. Porém a DC falhou em suas produções. O tom sombrio não foi, nem de longe, o culpado. Vide Batman vs Superman. O corte que foi ao cinema é pífio e tornou o filme incompleto. A versão estendida é outro filme e conseguiu tirar o gosto amargo deixado pelo Zack Snyder e os editores.

Liga da Justiça é um filme totalmente diferente dos seus antecessores. Não sei aqui se foi por causa da influência do Joss Whedon, mas o que vemos na tela é um gibizão colorido, ágil e muito divertido. Pessoalmente queria que fosse bem mais sombrio, mas o resultado me agradou!

Depois da morte do Superman, o medo e a falta de esperança da população da Terra trouxe o Lobo da Estepe e seus parademônios (exército insectoide de Apokolips) para resgatarem as Caixas Maternas. Os vilões querem destruir o nosso planetinha usando essas caixas e existem três por essas bandas: com as amazonas, com os humanos e com os atlantes. As Caixas Maternas são as grandes responsáveis em ligar todos os heróis. Isso é bacana, pois a Unidade tão proclamada pelos Lobo da Estepe ocorre, mas não da forma que ele pretendia.

Batman e Mulher Maravilha saem atrás de recrutar novos heróis para o time. Tirando o Flash, que pelos trailers percebemos que é o alívio cômico do filme, Aquaman e Cyborg são relutantes. Conflitos internos são travados ali dando uma camada mais séria ao filme. A Mulher Maravilha vai pelo mesmo caminho, pois ainda não superou o que ocorreu com ela há 100 anos.

O que irei dizer agora não é spoiler: Superman volta. E volta com um belo sorriso, com muito mais carisma e colorido, lembrando o Superman do Christopher Reeve. Até porque a semelhança é acentuadas com acordes da trilha original do John Williams.

Adorei a trilha do Danny Elfman e em muitos momentos me emocionou. Pode ser por causa da minha memória afetiva, mas ao escutar trechos da trilha clássica do Batman de 1989 (que aliás foi composto por ele) e do Superman de 1978 do John Williams me colocou um sorriso bobo no rosto. E concordo com o que Elfman respondeu ao ser perguntando se pretendia usar o tema de Hans Zimmer para Batman Vs. Superman:

 “Não, você vai ouvir o tema do Batman. Batman só teve um tema. O meu”.

É bem bacana ver os heróis lutando juntos. Ao juntarem seus poderes mostram que podem ser invencíveis e isso deixa qualquer inimigo com medo. Ben Affleck (Batman) está muito bem e nas primeiras cenas do filme tem uma sequência que colocará um belo sorriso na boca dos fãs (não, não é isso que você pensou 🙂 ). Gal Gadot (Mulher-Maravilha) sem comentários. Ela entra em cena e brilha mais que o seu laço. Jason Momoa  (Aquaman) está bem, mas precisa ser mais explorado. Ele é o piadista bad boy do filme. Já Ezra Miller (Flash) é o alívio comigo. Achei exagerado algumas vezes com suas caras e bocas. Ok, é um moleque ainda, mas não precisava tanto. E Ray Fisher (Cyborg) foi bem explorado e quem não conhece o herói dá para ter uma ideia dos conflitos que ele passa.

O Lobo da Estepe está péssimo. Tipo, ruim MESMO. Não tem nada que o salva, nem os efeitos especiais. A voz então, mais clichê impossível! Olha, tirando o Loki e o Coringa do Heath Ledger, a nova safra de vilões dos filmes de super-heróis são tão ruins que chegam a doer. O Lobo da Estepe não chega a ser um estorvo na narrativa, mas poderiam ter feito algo mais decentes, pelo menos visualmente.

Liga da Justiça tem erros. Me incomodou alguns cortes (nada comparado com Batman vs Superman) e poderia ter uns 10 minutos a mais de filme. Por causa disso, deixaram de amarrar algumas pontas de Batman vs Superman e explicam muita mal algumas outras. Alguns dizem que a DC Comics tem a estratégia de fazer isso para lançarem ($$$) as versões estendidas. Eu acredito nisso. Até porque algumas cenas que estão no trailer, não estão no filme e certamente irão aparecer nessas versões.

Bem, Liga da Justiça é uma nova linha da DC Comics/Warner. Leve, divertido, colorido, dinâmico (que lembra algumas vezes um videogame) e faz você ter uma excelente experiência na sala de cinema. Vá assistir o filme desarmado, sem compromisso, compre um sacão de pipoca para você e para seu Padawan e se divirta! A esperança voltou 🙂

Uma observações para os pais e mães: Liga da Justiça é um filme delicioso onde você pode levar seu Padawan de qualquer idade para assistir. Não tem sangue, nem violência exagerada. Lembre-se apenas que são super-heróis lutando e murros, chutes, raios tem aos montes.