Um conto sobre unhas | #VidaDePai 149

Era uma tarde de inverno e o vento balançava as copas das árvores. O sol, tímido, incentivava as crianças a jogarem bola na rua do condomínio. Uma janela se abre e a mãe de uma das crianças o chama para entrar. Relutante e visivelmente insatisfeito com a ordem materna, o moleque atravessa o batente da porta lateral de sua casa proferindo palavras que não serão escritas por respeito aos leitores.

Minutos depois da entrada do moleque, o silêncio é quebrado por um berro de agonia e pavor. AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! Imediatamente as crianças pararam de jogar bola, vizinhos abrem suas  janelas e a copas das árvores não balançam mais. O que será que tinha ocorrido naquele pacato condomínio? Imediatamente a portaria é inundada por telefonemas dos moradores e a segurança é questionada sobre o ocorrido.

Um Senhor, beirando seus 50 anos, finalmente terá a chance de mostrar seu valor como segurança. Em um movimento rápido e ágil, ele pega o walkie talkie e o cassetete e coloca na cintura. Ao sair da portaria, coloca cuidadosamente o quepe e esboça um pequeno sorriso. Foi para isso que fui treinado, pensou o segurança.

Em passos largos e seguros, o segurança vai até a casa de onde o berro, que ainda ecoa pelo condomínio, saiu. Com gestos vigorosos, ele bate três vezes na porta branca e robusta da casa nº 42. Rapidamente a mãe abre a porta e o seu semblante era de insatisfação.

Boa tarde, Senhora. O seu filho está bem? Escutamos um berro e todos no condomínio estão preocupados.

Boa tarde, Segurança Mario. Bem, o Senhor pode entrar e ver com os seus próprios olhos o que ocorreu.

Ao entrar, ele viu a criança no sofá, com cara de medo. O pânico era evidente em seu olhar e quando o segurança chegou mais perto, o moleque clamou por socorro. ME AJUDE! ME AJUDE! ELA QUER ME CORTAR!!!!

Calma, criança! O que sua mãe fez com você? Ela te machucou? Ela te bateu! ME FALE, MOLEQUE!!!

Nessa hora a mãe cutucou as costas do segurança, que já estava com o celular na mão pronto para ligar para o Conselho Tutelar, e mostrou o que de fato ocorreu…

Senhor, eu só tentei cortar a unha do meu filho com esse trim…

FIM

“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real NÃO terá sido mera coincidência.

Bem, respeitando as devidas proporções, não é isso que ocorre na casa de vocês? AhAhauhAUuaua! Aqui meus filhos fazem um drama todas as vezes que vão cortar as unhas. Parecem que estamos fazendo uma cirurgia de apêndice sem usar anestesia! Uma coisa de louco.

Pesquisando um pouco sobre isso, descobri que é nada mais nada menos que um reflexo de autoproteção. Por mais que não vão ocorrer cortes, eles acreditam que as tesouras/trins podem machucá-los de alguma forma. Então o medo é acionado como medida de se protegerem.

Então que devemos fazer?

  1. Cortar as unhas quando dormem;
  2. Distrai-los com a TV ou Tablets;
  3. Tenha paciência;
  4. Na hora da sua alimentação;
  5. Corte as suas unhas em frente a ele. Assim você passa segurança. E reforce que não irá doer nada e fale isso a cada unha;
  6. Paciência…
  7. Corte as unhas depois do banho. As unhas ficam mais moles e acabam sentindo menos residência ao corta-las.
  8. Já disse que precisamos ter paciência?

É isso! Crianças tem medo por autoproteção e, aos poucos, vão perdendo o medo e tudo fica bem. Até porque, convenhamos, você conhece algum adulto que tem medo de cortar as unhas e anda como o Zé do Caixão? Então vamos ter paciência que logo esse medo de cortar unhas passa.