Lembro como se fosse hoje: eu entrei num bar que existia perto de casa, onde haviam alguns arcades (por favor relevem o fato de um garoto de 11 anos entrar num bar, ok? Eram os anos 90, ninguém ligava muito pra essas coisas). Costumava ir de vez em quando para jogar Galaga, RaidenCabal e os meus preferidos, os beat ’em ups. Dentre esses, Double Dragon e Final Fight eram os mais procurados entre a molecada que transitava por ali.

Nesse dia porém, o movimento estava muito maior que o normal. Uma “multidão” de umas 7 pessoas estavam amontoadas em cima de uma única máquina. Chego perto e vejo que se trata de um jogo de luta, de um contra um. A novidade era que o controle consistia de, além da alavanca, seis botões de ação; era a primeira vez que via tantos botões disponíveis para controlar um personagem. Na tela os lutadores se engalfinhavam entre socos, chutes e golpes especiais, que os jogadores faziam girando a alavanca e apertando os botões freneticamente.

Fiquei curioso. Comprei uma ficha e fui jogar. Surpresa: oito personagens para escolher. Dúvida. Pouco tempo. Peguei o karateka de branco (talvez num paralelo com o Daniel-san, de Karate Kid). Para meu azar o adversário era o filho do dono do bar, que já estava jogando há um bom tempo e, diferente de todos os outros, sabia o que estava fazendo. Tomei uma surra homérica e perdi a ficha. Ainda fiquei por ali vendo os outros jogarem, o cara que me derrotou finalizar o game e vi enfim o nome do jogo, que me fez obviamente pensar “peraí: se esse é o 2, cadê o 1?”

Foi assim, meio de surpresa, que fui apresentado a Street Fighter II.

O que aprendi jogando Street Fighter

Não vou me ater muito à qualidade e popularidade de Street Fighter, pois é chover no molhado. Estou escrevendo esse post comemorando os 25 anos da série mais para agradecer: foi Street Fighter que me ensinou a importância de se querer melhorar sempre, seja para superar o adversário que me fez perder uma ficha, seja para progredir na vida. Foi Street Fighter que me mostrou que uma mulher pode ser doce, sensual e forte ao mesmo tempo. Foi esse game que me mostrou que meninas também jogam videogame. E mais importante, Street Fighter me trouxe muitos amigos, alguns dos quais perdurarão até o fim dos meus dias, daqui a uns 30 mil anos. 😉

O que aprendi jogando Street Fighter

 Hoje Street Fighter não é uma série de jogos, é uma subcultura dentro da cultura pop. “Hadouken” e “Shoryuken” não fazem mais parte exclusivamente do vocabulário gamer. Não há um consumidor de coisas pop que não saiba quem é a Chun-li. O game virou filme (duas vezes, ambos péssimos), desenho animado, quadrinhos, bonecos, lancheiras e tudo mais que você imaginar. Street Fighter está enraizado no subconsciente pop.

Então parabéns Ryu, Ken, Chun-li, Cammy, Guile, Zangief, M. Bison, Yun e Yang, Elena, Sakura, Rose, Guy, Karin, Akuma, Gouken, Juri e cia. limitada. E que venham mais 25 anos de pancadaria!

E não deixem de comprar esse box lindão lançado para comemorar os 25 anos da franquia!

O que aprendi jogando Street Fighter 02

Fica, a Chun-li trouxe bolo! 🙂